Vera Lucy Brandão colhendo cupuaçus em meio à floresta no Sítio PrimaVera

Nossa História · Vera Lucy Brandão

Uma história que nasceu da floresta.

Mulher indígena Macuxi, agrônoma e empreendedora. Dona Vera transformou um desafio da comunidade em sabor, autonomia e futuro.

Indígena Macuxi Agrônoma Empreendedora
Conheça a trajetória

Foto: Divulgação / Folha BV

Antes da marca

Existia uma mulher profundamente ligada à terra.

Nascida na região do Taiano, no município de Amajari, Vera Lucy Brandão construiu sua trajetória na comunidade Kauwê, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Sua primeira profissão foi dona de casa. Entre o cuidado com a família, a agricultura e a vida comunitária, desenvolveu uma intimidade prática com os ingredientes, com a panela e com os ciclos da natureza.

Dona Vera não queria permanecer apenas na agricultura de subsistência. Buscou conhecimento, formou-se em Agronomia pela Universidade Federal de Roraima e levou a ciência para dentro da realidade que sempre conheceu.

Origem Taiano, Amajari Roraima
Território Comunidade Kauwê Raposa Serra do Sol
Formação Agronomia Universidade Federal de Roraima

Do fruto ao propósito

Cada limite abriu um novo caminho.

A história da Yu’Primavera não começou em uma fábrica. Começou com observação, necessidade e coragem para fazer diferente.

  1. A oportunidade

    Os cupuaçuzeiros continuavam produzindo.

    Enquanto aguardava a produção do café, Dona Vera percebeu que os frutos existentes no Sítio PrimaVera não poderiam ser desperdiçados. Vender apenas a polpa gerava pouco retorno.

  2. A adaptação

    Sem energia elétrica, a receita precisou mudar.

    Inspirada por um projeto de aproveitamento do cupuaçu, Dona Vera adaptou o processo à realidade local e desenvolveu um doce que pudesse ser conservado em temperatura ambiente.

  3. A descoberta

    Uma cortesia virou desejo.

    As primeiras jujubas eram oferecidas aos turistas que visitavam a região. Eles provaram, gostaram e começaram a perguntar como poderiam levar o sabor da Amazônia consigo.

  4. O negócio

    A Yu’Primavera ganhou forma.

    Com capacitação, apoio do Sebrae e uma visão mais estratégica, a iniciativa foi formalizada em 2024 e passou a preparar novos caminhos para crescer.

Dona Vera com adorno indígena apresentando a jujuba de cupuaçu Yu’Primavera

A jujuba de cupuaçu

A dificuldade não encerrou a ideia. Tornou-a única.

A ausência de refrigeração poderia ter impedido a produção. Dona Vera enxergou o problema como parte do processo criativo.

O conhecimento adquirido na cozinha, a experiência com os frutos e a formação agronômica se encontraram em uma solução própria. A receita foi ajustada à realidade da comunidade até alcançar boa durabilidade, textura e um sabor marcante de cupuaçu.

É possível, sim, trabalhar com a natureza e não contra ela.

Vera Lucy Brandão

Ciência e tradição

A formação em Agronomia fortaleceu conhecimentos construídos durante uma vida inteira em contato com a terra.

Agricultura sintrópica

O cultivo acompanha o ritmo da natureza, integra espécies e respeita os ciclos do solo e da floresta.

Produção comunitária

Parcerias locais ampliam oportunidades e mantêm o valor da produção dentro da própria comunidade.

Do quintal ao mercado

Quando uma história cresce, ela passa a carregar outras pessoas.

Vera Lucy Brandão apresentando produtos amazônicos em um espaço de negócios
Conhecimento que ganha mercado Dona Vera apresenta produtos e a história da Yu’Primavera.

O que começou pelas mãos de Dona Vera tornou-se aprendizado compartilhado. Sua filha, Laís Brandão, passou a participar da produção. Abgail da Silva também se integrou ao trabalho.

A jujuba atravessou fronteiras levada por turistas, chegou a eventos de grande alcance e abriu espaço para novos produtos, como o licor de cupuaçu e o café especial.

Hoje, Dona Vera também leva sua experiência a palestras e encontros, mostrando que o empreendedorismo feminino indígena pode nascer da realidade local e dialogar com o mundo.

O significado da marca Yu significa “floresta” em macuxi.

“Prima” é como as pessoas se chamam na aldeia; “Vera” vem do nome da fundadora. Juntas, as palavras formam uma identidade afetiva, territorial e ligada ao modo de produzir.

Dona Vera apresentando os produtos Yu’Primavera durante um evento

Presença e reconhecimento

Os sabores da comunidade passaram a alcançar novos lugares.

Feiras, exposições, palestras e encontros aproximaram Dona Vera de novos públicos. Cada apresentação leva mais do que um produto: leva a origem, a cultura e a biodiversidade de Roraima.

  • Empreendedorismo feminino indígena
  • Valorização dos saberes tradicionais
  • Fortalecimento da produção local
  • Sabores amazônicos em novos mercados

Na imprensa

Uma trajetória que inspira novas narrativas.

O próximo capítulo

Um legado ainda em construção.

Dona Vera sonha com uma estrutura própria para ampliar a produção, alcançar outros estados e países e abrir novas oportunidades sem abandonar suas raízes.

Sua história também carrega um propósito maior: inspirar outras mulheres, especialmente indígenas, a reconhecerem seu potencial e transformarem suas comunidades.

“Cada desafio fortaleceu minha confiança, ampliou minha visão empreendedora e mostrou que planejamento e coragem são fundamentais para alcançar resultados duradouros.”

Vera Lucy Brandão